10 2 / 2011
o ar está gelado
barulho de cor cobre
eles falam de tudo, da mudança
eu não sei de nada daqui
eles têm peles azuis
tem pele vermelha
pele de cor de pele
é tudo cor
cabeça quente e dor de gelo
alicates contornam agulhas e canetas
nada se escreve com papel borrado de cinza escuro
cotovelos mexem-se como línguas falantes demais
meditação, nada vem, meditação de outrem
meditação no trem, na passagem
na imagem, consumo, medo, velocidade
atraso de quem?
a mãe abraçou a filha antes de ela morrer no primeiro sinal
vertigem do prédio colorido
dor
dor
dor
dor
asfalto quente, banco gelado e metálico de cinza cromado em xerox
um gole de vinho gelado, um gole de vinho gelado,
está frio aqui
está frio lá nas notícias fotografadas por homens como nós que temos frios quentes
preciso parar
é só um exercício, é viciante, não vejo nada
o que é que se pode ouvir depois da noite escura ou num dia de tempestade de espinhos?
ela cheirou o chão com os seios, cortou-os, mostrou-os, a dor, dor, dor
eles estão vendo, eles estão vendo
Vendendo, vendendo
repetição de palavras mesmas
o mesmo sinistro do suco verde de laranja
alma derradeira quer vencer a torre de escamas
deve-se parar agora,